Agência CEBDS
06/02/2019 17:30

DO RESÍDUO AO RECURSO


Rio de Janeiro, 06 fev 2019. O desafio global da geração excessiva e descarte seguro de resíduos sólidos afeta direta e indiretamente nas questões climáticas, por isso é tema de discussão recorrente desde a Rio 92. Além disso, a gestão inadequada do lixo degrada o solo, corpos d'água e fontes, e contribui com a poluição atmosférica. Nos centros urbanos, intensifica inundações e causa proliferação de vetores de doenças. 



Dentre as prioridades de soluções estão a redução de resíduos nas fontes geradoras e da disposição final no solo, coleta seletiva e reciclagem com inclusão sócio-produtiva dos catadores, além de compostagem e recuperação de energia.
A gestão eficiente de resíduos aparece entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e na Nova Agenda Urbana (NUA), adotada na conferência das nações unidas sobre moradia e desenvolvimento urbano sustentável, conhecida como Habitat III, realizada em 2016 no Equador. Nessa busca por soluções, a transição para uma economia circular foi um dos temas que ganhou destaque na NAU.



O conceito de economia circular mostra que devemos analisar as possibilidades de redução de resíduos ao longo de toda a cadeia produtiva, reforçando a mensagem de que podemos transformar resíduo em recurso. O Brasil produz mais de 78,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, dos quais 13,5% - o equivalente a 10,5 milhões de toneladas - são de plástico. Se a quantidade total de plástico fosse reciclada, seria possível devolver cerca de US $ 1,3 bilhão à economia, de acordo com uma pesquisa feita pelo sindicato nacional de empresas de limpeza urbana.



Muitas empresas estão analisando seus processos de produção, procurando oportunidades de aprimorá-los de forma circular. Um grande exemplo é o de uma startup que percebeu o potencial energético que o resíduo do café poderia ter como fonte de combustível residencial e industrial. Com o apoio da Shell, a empresa está criando um biocombustível b20 derivado de café em uma escala grande o suficiente para ajudar a impulsionar alguns dos ônibus de Londres.



Outra opção que as empresas vêm encontrando para lidar com a questão do resíduo é a mudança na estratégia de negócio. Clientes da Michelin que possuem frota de veículos podem usufruir de um leasing de pneus, pago por milhas dirigidas. Os usuários do serviço não têm que lidar com problemas de manutenção de qualquer tipo. No final do ciclo do produto, a empresa se responsabiliza pelo reprocessamento do material para a fabricação de novos pneus ou para reutilização na construção civil.



Estes são alguns exemplos, mas podemos ir ainda mais longe. Podemos repensar o sistema produtivo, mudando-o de linear para circular. Segundo o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), a economia circular é uma oportunidade de US$ 4,5 trilhões. Apresenta um enorme potencial para o crescimento econômico global e também acelera a sociedade em direção a um futuro sustentável.



Esta é o momento onde temos a maior oportunidade para transformar a produção e o consumo desde a primeira revolução industrial, há 250 anos. Desencadeando a inovação circular, podemos impulsionar a resiliência da economia global, apoiar pessoas e comunidades em todo o mundo e ajudar a cumprir o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.


(Tatiana Araújo, assessora no Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, comunicacao@cebds.org, (21) 24832250)
 

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