Agência CEBDS
16/05/2019 16:22

OS PASSOS DO SETOR PRIVADO RUMO A NOVA ECONOMIA



Laura Albuquerque



Há cerca de 20 anos um outro conceito sobre a economia surgiu: Nova Economia. Desde então a academia, governos e empresas vêm tentando traduzir esse conceito na prática.



Paralelo a isso, governos de mais de 195 países debatem anualmente ações políticas e de financiamento necessárias para uma economia chamada de baixo carbono, parte integrante da Nova Economia.



Esse debate ocorre em um encontro chamado Conferência das Partes, da sigla COP, onde as Partes são os países que em 1992 construíram e concordaram juntos com a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças as Climáticas - da sigla UNFCCC, em inglês. A Convenção reconheceu que o processo de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis impacta negativamente a saúde do homem e do planeta e vem causando o aumento da temperatura terrestre afetando os ecossistemas.



Desde então, governos e muitas empresas, por demanda de investidores globais - fato fundamental de reforçar, passaram a incorporar em sua gestão a questão climática buscando alternativas ao uso do combustível fóssil e buscando entender os riscos físicos e financeiros que podem impactá-los. Principalmente após 2015 com o Acordo de Paris, acordo mais relevante e de sucesso alcançado entre os países da UNFCCC, os setores econômicos revisitaram seus processos e instrumentos para tratar a questão climática.



Engajado e com papel estratégico nessa agenda desde 1997 quando foi fundado, o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) levou à 24ª COP -  ocorrida em dezembro de 2018 em Katowice na Polônia - um estudo que pela primeira vez consolidou os projetos, investimentos e instrumentos que suas empresas vêm utilizando e implantando nos últimos três anos para gestão da questão climática. Os resultados do estudo foram de valores impactantes. Chegou-se a um valor de investimento acumulado dos últimos 3 anos de 85,8 bilhões de dólares em ações e projetos para mitigar e adaptar à mudança do clima, além de quase 90% das empresas brasileiras analisadas possuírem meta de redução de emissões de gases de efeito estufa.[1] No conjunto de projetos investidos tem-se a maior parte em eficiência energética seguida de otimização de processos e substituição de energia por uma de baixo carbono.



85,8 bilhões de dólares comprovam que o setor empresarial brasileiro entende o significado de nova economia e de economia de baixo carbono e mostra que a mudança do clima vem sendo inserida na tomada de decisão. É um valor que traduz a busca pela nova economia e que evidencia o novo direcionamento de recursos, mas isso é muito?



De acordo com o IPCC, no “Relatório Especial sobre Aquecimento Global de 1,5º2”, serão necessários investimentos da ordem de US$ 1,6 a US$ 3,8 trilhões, anualmente entre 2016 e 2050, no sistema energético para manter a temperatura global em 1,5ºC. O Green Climate Fund (GCF) possui um portfólio de 93 projetos alocando 4,6 bilhões de dólares para ações de mitigação e adaptação. No Brasil, o BNDES possui novo aporte de 228 milhões de reais para o Fundo Clima e 1 bilhão em títulos verdes de dívida para energia renovável. O Fundo Amazônia possui um montante dedicado de 1,28 bilhões de dólares.



Então, não, não é muito, tampouco é suficiente, mas é relevante além de ser um sinal bem positivo de que o modelo produtivo atual das grandes empresas brasileiras enxergou oportunidade em outra forma de atuar, mostrar que quer mudar, vem mudando e possui capital financeiro e humano para a mudança. Com apoio e político de governos o resultado pode ser maior e melhor.









[1] Gases de efeito estufa (GEE): gases causadores do aumento da temperatura terrestre.





Laura Albuquerque, gerente técnica no Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. comunicacao@cebds.org, (21) 24832250.

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