Agronegócios
25/01/2019 12:26

CBOT: soja e milho tendem a abrir em alta; trigo deve iniciar em queda


São Paulo, 25/01/2019 - Os contratos futuros de grãos devem começar a sessão desta sexta-feira em direções distintas na Bolsa de Chicago (CBOT). A depreciação do dólar no exterior tende a contribuir para um movimento altista dos grãos, já que torna as commodities cotadas na divisa norte-americana mais atraentes para investidores estrangeiros.

A soja deve abrir em alta, puxada por um sentimento otimista de eventual acordo entre Estados Unidos e China. Traders também estão na expectativa de possível encontro entre representantes dos dois países, previsto para ocorrer nos dias 30 e 31 de janeiro. Em compensação, dados da demanda chinesa pela oleaginosa podem exercer pressão baixista neste pregão.

Nesta manhã, o Departamento de Alfândegas da China informou que as importações chinesas de soja totalizaram 88,03 milhões de toneladas no acumulado de 2018, recuo de 7,8% ante 2017, quando foram importados 95,5 milhões de toneladas. Apesar de representar um declínio na comparação anual, o número é 5,2% maior que o inicialmente previsto pelo governo asiático, de 83,65 milhões de toneladas. O resultado anual é o mais baixo desde 2008. O levantamento leva em conta o período de intensificação da guerra comercial entre EUA e China, com a aplicação da tarifa de 25% sobre a importação da oleaginosa norte-americana, e a redução de consumo do país asiático em virtude da epidemia de peste suína africana (ASF, na sigla em inglês).

O milho também deve abrir em alta. Entretanto, analistas consideram que investidores tendem a operar com cautela neste pregão, influenciados pela queda na produção semanal de etanol. "A realidade é que os comerciantes não estão dispostos a empurrar os preços do milho em nenhuma direção", disse o analista de mercado da consultoria de commodities agrícolas, Summit Commodity Brokerage, Tomm Pfitzenmaier. Segundo a Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês), a produção média foi de 1,031 milhão de barris por dia na semana encerrada em 18 de janeiro, queda de 1,9% em relação à semana anterior. Esses dados são importante indicador da demanda interna pelo cereal norte-americana. Nos EUA, o biocombustível é feito principalmente com milho, cerca de um terço do cereal é destinado à produção do etanol. O desempenho do petróleo também movimentará as especulações com o cereal porque influencia a competitividade relativa do etanol.

Em direção oposta, o trigo pode iniciar em queda. A consultoria Fitch Solutions considera que os dados de quebra na produção australiana já estão precificados pelo mercado e que a ausência de dados dos EUA desencoraja a tomada de risco pelos investidores. "A atenção do mercado agora se voltará para o plantio no Hemisfério Norte, que começa em fevereiro". A consultoria prevê uma safra robusta na região, por causa dos elevados preços do cereal e acrescenta que isso deve manter as cotações com alta limitada.

No overnight, o vencimento março da soja subiu 1,25 cent (0,14%), a US$ 9,1725 por bushel. O milho para março avançou 1 cent (0,27%), a US$ 3,7800 por bushel, enquanto igual vencimento do trigo perdeu 1,75 cent (0,34%), a US$ 5,1975 por bushel. (Isadora Duarte, isadora.duarte@estadao.com, com informações da Dow Jones Newswires)
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