Agronegócios
28/11/2022 08:44

Café/Abic/Pavel Cardoso: é cedo para dizer se preço ao consumidor vai cair em 2023


Por Francisco Carlos de Assis

São Paulo, 28/11/2022 - Cautela é o nome do jogo quando o assunto é uma possível queda de preço do café para o consumidor no ano que vem, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), Pavel Cardoso. A regularização das chuvas nas principais regiões produtoras de arábica nos últimos meses levou a uma segunda florada de alta qualidade dos cafezais, o que tem sustentado expectativas em relação a uma boa safra em 2023. Paralelamente a isso, na esteira da queda das commodities de modo geral no mercado internacional, o preço do café também tem cedido.

Por isso, de acordo com Pavel, é cedo para afirmar se os preços nas gôndolas dos supermercados vão cair, sem antes se ter em mãos dados mais claros de que a safra vindoura será mesmo maior. Ele afirma que a indústria prefere esperar a confirmação da safra com as previsões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em janeiro e maio para depois falar com mais segurança sobre preço. “A indústria vê esse comportamento com cautela porque não dá para repassar de cara a queda dos preços sem antes se confirmar o volume da safra de 2023”, disse o presidente da Abic. Ele concedeu entrevista na sexta-feira (25), do Rio de Janeiro, onde ocorreu a 28ª edição do Encontro Nacional da Indústria de Café (Encafé), evento que reuniu os participantes da cadeia produtora de café, este ano com o tema “Reencontrar para Transformar e Inovar”.

Além da cautela em relação ao que poderá acontecer com a safra 2022/2023, o setor tem colocado nas contas a redução de margem, sobretudo pelo aumento dos custos. No ano passado, uma forte geada prejudicou a produção do café arábica ao mesmo tempo em que, segundo Pavel, os custos aumentaram acima de 100%. “Até agosto os custos para a produção de um saco de café arábica subiram 123%. Na indústria, o custo da energia elétrica subiu 120%. No entanto, indústria só repassou 50% destes custos para os preços. Trabalhamos com margens apertadas”, disse o presidente da Abic. A indústria vai ter que colocar todos estes fatores na equação, ressalta.

Outro ponto a ser considerado pela indústria cafeeira, de acordo com Pavel, é a queda dos preços do café no mercado internacional. O movimento ocorreu a reboque de uma ação sincronizada dos bancos centrais das economias avançadas de política monetária restritiva. Para combater as taxas crescentes nas economias desenvolvidas, em especial nos Estados Unidos e União Europeia, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e Banco Central Europeu (BCE) optaram por aumentar juros. Isso, de acordo com Pavel, atraiu os investidores em commodities para a renda fixa, para investimentos em títulos públicos destes países.

“Os preços das commodities estão caindo porque os investimentos foram desviados para o mercado de capital”, disse o presidente da Abic, acrescentando que o consumo de café no ano passado aumentou cerca de 1%, enquanto a indústria via suas margens se apertarem.

Contato: francisco.assis@estadao.com
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