Agronegócios
28/01/2019 10:30

Perspectiva: investidor de grãos aguarda dados do USDA e reunião de governos de EUA e China


São Paulo, 28/01/2019 - As atenções dos investidores do mercado futuro de soja, milho e trigo nesta semana vão girar em torno do aguardado encontro de autoridades dos governos dos Estados Unidos e da China, nos dias 30 e 31, e do retorno da divulgação de dados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Na sexta-feira, após o fechamento do mercado, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou ter chegado a um acordo com democratas e republicanos no Congresso para encerrar a paralisação parcial da máquina pública federal, iniciada em 22 de dezembro, e reabrir o governo até 15 de fevereiro. A notícia influenciou os futuros da soja, já que antes do anúncio oficial veículos da imprensa americana informavam que a paralisação seria suspensa. O clima na América do Sul também permanece no radar, com as chuvas abaixo do volume necessário no Brasil e em excesso na Argentina ainda preocupando produtores e investidores.

Com relação à soja, a notícia de reabertura temporária do governo dos EUA "animou" investidores na última sexta-feira, de acordo com Stefan Tomkiw, do Société Générale. O vencimento março avançou 9,25 cents (1,01%) e terminou em US$ 9,2525 por bushel na Bolsa de Chicago (CBOT). O enfraquecimento do dólar no mercado internacional reforçou os ganhos. "Tem muita gente acreditando que com a retomada do fluxo normal de divulgação dos relatórios do USDA pode haver uma surpresa em relação aos volumes (exportados pelo país). O mercado buscou um posicionamento do lado da compra (apostando na alta das cotações da soja na CBOT)", disse Tomkiw. "Pode haver divulgação de compras atrasadas, reportes de vendas meio agressivas", acrescentou.

Investidores aguardam também a reunião de autoridades dos EUA e da China nesta quarta-feira e quinta-feira. As opiniões sobre o que sairá do encontro estão divididas, na opinião do analista do Société. Muitos acreditam que uma solução para o impasse entre os dois países ainda não será anunciada agora. No entanto, independentemente disso, o mercado vem puxando as cotações futuras da soja para cima, com as mínimas subindo gradualmente, mês a mês, lembrou ele.

No caso do milho, os futuros de cereal fecharam em alta na sexta-feira com a depreciação do dólar no mercado internacional e o avanço do petróleo. O enfraquecimento da moeda norte-americana torna commodities produzidas nos EUA mais atraentes para compradores estrangeiros, enquanto a alta do petróleo melhora a competitividade relativa do etanol. O vencimento março subiu 3,25 cents (0,86%) e terminou em US$ 3,8025 por bushel. O mercado teve fraco volume e operou dentro de uma faixa estreia na semana passada, acumulando perda de 0,4%. A disputa comercial entre EUA e China e a paralisação do governo norte-americano mantêm traders cautelosos - situação que pode mudar nesta semana, com a retomada das atividades pelo governo americano.

Quanto ao trigo, os futuros negociados em Chicago fecharam em leve baixa no último dia da semana passada, com compradores ainda retraídos pela ausência de dados de vendas externas dos EUA. Segundo a consultoria Fitch Solutions, os dados de quebra de safra na Austrália já estão precificados pelo mercado e a ausência de números dos EUA desencoraja a tomada de risco pelos investidores. "A atenção do mercado agora se voltará para o plantio no Hemisfério Norte, que começa em fevereiro". A consultoria prevê uma safra robusta na região, por causa dos elevados preços do cereal, e acrescenta que isso deve manter as cotações com alta limitada. Na CBOT, o vencimento março do trigo recuou 1,50 cents (0,29%) e fechou em US$ 5,20 por bushel. Em Kansas City, igual vencimento do trigo duro vermelho de inverno cedeu 2,00 cents (0,39%), para US$ 5,0950 por bushel.

Café: contratos sobem 1,8% na semana
Os contratos futuros de café arábica apresentaram valorização de cerca de 1,8% (185 pontos) na semana passada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), base vencimento março de 2019. As cotações encerraram na sexta-feira (25), a 106,80 centavos de dólar por libra-peso. No período, os contratos marcaram máxima de 107,15 cents (sexta, dia 25) e mínima de 102,30 cents (quarta, dia 13).

O Escritório Carvalhaes, tradicional corretora de Santos (SP), destaca em boletim semanal que os futuros de café em Nova York encerraram na sexta-feira passada a quarta semana seguida com balanço positivo. "A alta nestas quatro semanas de 2019 soma 495 pontos desde o fechamento de 31 de dezembro último e não foi suficiente para levar os preços no físico brasileiro a um nível que estimule maior volume de fechamento de negócios", diz Carvalhaes. O início do governo Bolsonaro fortaleceu o real frente ao dólar neste mês de janeiro, anulando para o mercado físico parte dos ganhos na ICE. "Assim, a alta em reais é considerada tímida pelos produtores brasileiros, que continuam vendendo apenas o necessário para fazer frente aos compromissos mais próximos", comenta Carvalhaes.

Conforme a corretora, as cotações do café em Nova York foram impulsionadas pelo fortalecimento do real e pela crescente preocupação dos operadores com o clima neste verão brasileiro, época de desenvolvimento dos frutos dos cafeeiros. "Chuvas irregulares e, principalmente, temperaturas extremamente elevadas em todas as principais regiões produtoras do Sudeste brasileiro estão dificultando o crescimento e estragando frutos nos cafezais já naturalmente debilitados pela produção recorde na safra passada", informa Carvalhaes.

O feriado do dia de Martin Luther King nos EUA na segunda-feira (21), quando a ICE Futures US não operou, e o feriado municipal na sexta-feira (25) na cidade de São Paulo, principal centro financeiro do Brasil, dificultando bastante o mercado de câmbio, deixou o mercado físico de café no Brasil ainda mais lento. Apesar de um pouco mais altas, as ofertas dos compradores continuaram não estimulando os cafeicultores a colocarem um número maior de lotes no mercado. "Saem negócios por causa da necessidade de caixa de produtores, mas o volume é considerado baixo frente às necessidades de café para abastecer o consumo interno e as exportações", conclui Carvalhaes.

Açúcar: mercado em Nova York deve ter recuperação técnica
O mercado futuro de açúcar demerara deve buscar recuperação nesta última semana de janeiro, após a forte queda de sexta-feira na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Os fundamentos não se alteraram, sinalizando uma perspectiva de diminuição na oferta global do produto, o que deve favorecer as cotações do produto.

A baixa dos futuros de demerara pode ser atribuída em grande parte a um movimento especulativo, que empurrou as cotações para baixo com ordens automáticas de venda, à medida que níveis de suporte foram sendo rompidos. Março/19 encerrou com desvalorização de 4,16% (54 pontos), a 12,44 centavos de dólar por libra-peso. A máxima foi de 13,01 cents (mais 3 pontos). A mínima foi de 12,41 cents (menos 25 pontos). O mercado tem agora suporte a 11,94 cents, mínima marcada em 7 de janeiro passado.

Na sexta-feira, a consultoria INTL FCStone divulgou relatório sobre perspectivas para as commodities agrícolas no primeiro trimestre deste ano. Para o açúcar, a consultoria prevê recuperação dos preços. Em janeiro, apesar da queda de sexta, o primeiro vencimento em Nova York já acumula valorização de pouco mais de 3,5%.

Segundo a FCStone, a retomada das cotações do demerara deve ocorrer principalmente por causa da reversão do balanço internacional de oferta e demanda pelo produto. O açúcar deve sair da situação de superávit registrado na safra global 2017/18 (outubro-setembro) para déficit - projetado pela INTL FCStone em 700 mil de toneladas - na temporada 2018/19.

(Clarice Couto, Tomas Okuda e Isadora Duarte - clarice.couto@estadao.com; tomas.okuda@estadao.com e isadora.duarte@estadao.com)
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