Agronegócios
28/01/2019 12:24

CBOT: soja tende abrir em queda; milho perto da estabilidade e trigo em alta


São Paulo, 28/01/2019 - Os contratos futuros de grãos devem começar a sessão desta segunda-feira em direções distintas na Bolsa de Chicago (CBOT). Investidores acompanham a reabertura parcial do governo federal dos Estados Unidos, após paralisação de 35 dias, na expectativa do retorno da publicação de dados oficiais. Ainda não há notícias sobre a normalização dos relatórios e levantamentos divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Neste pregão, traders devem monitorar também os dados semanais de inspeções de exportação de grãos. O levantamento considera a semana encerrada em 24 de janeiro e deve ser divulgado às 14h (horário de Brasília).

A consultoria INTL FCStone apontou em relatório na sexta-feira que até março deste ano as commodities agrícolas serão guiadas pelo mercado internacional. Segundo a consultoria, o prognóstico para os mercados de commodities continua a ser contaminado pelas preocupações com a desaceleração da economia mundial. "Essa conjuntura é resultante da guerra comercial travada entre Estados Unidos e China e da perda de dinâmica da economia chinesa e das principais economias da Zona do Euro, podendo ser deteriorada ainda mais no caso de um Brexit sem acordo e de impactos significativos dos já 33 dias de shutdown sobre o crescimento da economia americana no primeiro trimestre", afirma o Analista de Mercado da consultoria INTL FCStone, Vitor Andrioli, no Relatório Trimestral de Perspectivas.

A soja deve abrir em queda, apesar de um certo otimismo com o avanço da negociação entre EUA/China e com a divulgação de compras atrasadas. "Tem muita gente acreditando que com a retomada do fluxo normal de divulgação dos relatórios do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), pode haver surpresa em relação aos volumes (exportados pelo país). O mercado buscou um posicionamento do lado da compra (apostando na alta das cotações da soja na CBOT)", disse Stefan Tomkiw, do Société Générale. Entretanto, alguns analistas consideram que esses fatores já foram precificados, ainda como rumores. Nesta semana, o mercado tende a acompanhar também com atenção declarações e preparativos relacionados aos encontros de autoridades dos governos americano e chinês nos dias 30 e 31.

A consultoria ARC Mercosul informou em seu boletim de sexta-feira que, com base na fila de navios provenientes da China (previstos para chegar aos EUA), estão programados embarques de quase 1 milhão de toneladas de soja norte-americana em fevereiro. "Seria o maior volume dos últimos nove meses", disse a ARC. O evento, na avaliação da consultoria, pode indicar uma aposta dos importadores asiáticos na reconciliação do governo chinês com o norte-americano.

Na análise da FCStone, a tensão comercial entre EUA e China deve guiar os mercados de soja e milho, no primeiro trimestre deste ano, no que diz respeito às definições de área plantada norte-americana no ciclo 2019/20. "Pelo lado da demanda, a queda das importações chinesas de soja e a gripe suína africana preocupam, e a queda no consumo contribui para reduzir os impactos das perdas na América do Sul", disse a consultoria.

Já o milho deve abrir perto da estabilidade. Analistas disseram que traders vêm mantendo uma postura cautelosa diante da indefinição na disputa comercial entre EUA e China e da paralisação do governo norte-americano. Do lado dos fundamentos baixistas, o forte recuo no petróleo pode pesar sobre as cotações do cereal. Às 12h16, os futuros do brent recuavam 2,38%, enquanto os futuros do wti recuavam 2,96%, ambos com vencimento para março.

Enquanto o trigo pode iniciar em alta. O movimento tende ser de ordem técnica, recuperando as perdas da última sessão. "A atenção do mercado agora se voltará para o plantio no Hemisfério Norte, que começa em fevereiro", disse a FCStone.

No overnight, o vencimento março da soja caiu 4,50 cents (0,49%), a US$ 9,2075 por bushel. O milho para março operou estável, a US$ 3,8025 por bushel, enquanto igual vencimento do trigo avançou 2 cents (0,38%), a US$ 5,2200 por bushel. (Isadora Duarte, isadora.duarte@estadao.com, com informações da Dow Jones Newswires)
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