Agronegócios
19/06/2017 11:07

FGV/Picchetti: previsão para IPC-S do mês é revisada de alta de 0,25% para deflação de 0,10%


São Paulo, 19/06/2017 - A recessão continua sendo um dos principais fatores de alívio do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). Na terceira leitura do mês, o indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) desacelerou o ritmo de alta para 0,13%, depois de 0,39% na segunda. Com o arrefecimento significativo, o coordenador do índice, Paulo Picchetti, estima que o IPC-S pode fechar junho com deflação na faixa de 0,10%. Se a projeção for confirmada, será a primeira queda registrada desde julho de 2013, quando o indicador recuou 0,17%. Em maio deste ano, o IPC-S fora de 0,52%. "Maior parte reflete os feitos da recessão", diz.

De acordo com o economista, o índice de difusão - que mede o quanto a alta de preços está espalhada - é um bom termômetro de como o alívio inflacionário está disseminado. Na terceira medição de junho, o difusão ficou em 52,06%, atingindo o menor nível desde a primeira leitura de agosto de 2013 (51,76%). "Nessa época do ano raramente fica próximo a 50%. Vários itens apresentaram queda e alguns até recuando mais que o esperado", conta.

Picchetti admite que não esperava aceleração na velocidade de queda de vários itens, caso de combustíveis, a despeito dos recentes reajustes de baixa no produto, pois o repasse ao consumidor vem sendo de forma paulatina e nem sempre de forma integral.

No IPC-S da terceira quadrissemana (últimos 30 dias terminados no último dia 15), os combustíveis tiveram retração de 0,85% na segunda leitura para queda de 1,31% na seguinte. Tanto a gasolina quanto o etanol ficaram mais baratos no período, com recuos de 0,89% e de 3,14%, respectivamente. Na segunda medição, houve declínio de 0,39% (gasolina) e de 2,54% (etanol). "Apesar de ser período de entressafra, estão caindo e tendem a continuar", diz.

Isso porque na semana passada a Petrobras informou nova queda nos preços da gasolina, de 2,3%. Se o repasse for repassado integralmente ao consumidor, o efeito negativo no IPC-S deve ficar na faixa de 0,03 ponto porcentual.

Também por estar em um momento considerado menos favorável, por causa do clima mais seco, o professor da FGV afirma que os preços das carnes no IPC-S da terceira quadrissemana vieram melhores que o esperado. A variação da carne bovina passou de alta de 0,43% na segunda leitura para 0,13% na terceira. "A desaceleração em carnes é surpreendente nesse período de entressafra. Hortaliças e legumes também ajudaram a conter a alta do IPC-S. O tomate, como sempre sendo o fiel da balança", afirma.

O item hortaliças e legumes saiu de declínio de 3,58% na segunda quadrissemana para recuo de 5,34% na terceira. O preço do tomate, por sua vez, passou de declínio de 12,33% para 15,08%. "No ponta (pesquisa recente), já está caindo mais de 20%", adianta.

Em contrapartida, o feijão continua encarecendo. Um dos itens mais demandados pelos brasileiros ficou 21,47% mais caro na terceira leitura de junho, na comparação com 11,6% na segunda medição. A expectativa é que o preço prossiga em aceleração, diz Picchetti.

De todo modo, o economista pondera que esse movimento de alta do feijão tampouco o avanço de 10,63% em passagem aérea (de 1,81%) não tendem a atrapalhar o processo de alívio do IPC-S. (Maria Regina Silva - maria.regina@estadao.com)
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