Agronegócios
29/06/2022 08:40

Cargill anuncia iniciativas para Restauração de APPs e reservas e regularização ambiental


Por Leticia Pakulski

São Paulo, 29/06/2022 - A Cargill anuncia nesta terça-feira iniciativas para restaurar 100 mil hectares de áreas de Reserva Legal ou Áreas de Proteção Permanente (APPs) nos próximos cinco anos e para ajudar produtores rurais a fazer a regularização ambiental em suas propriedades. A empresa não revela o valor investido. "É um conjunto de iniciativas que vai ao encontro dos nossos compromissos de sustentabilidade e segurança alimentar", disse a líder de sustentabilidade para o negócio agrícola da Cargill na América do Sul, Renata Nogueira.

A empresa convidou um grupo de especialistas em restauração para desenhar em conjunto o escopo do projeto e estabelecer critérios para mapear áreas prioritárias para restauração. "Vamos restaurar prioritariamente áreas de reserva legal e áreas de preservação permanente dentro de propriedades produtoras de soja que fornecem grãos para a Cargill, mas não exclusivamente nessas áreas", disse Renata.

Sete projetos-piloto foram escolhidos para receber o apoio inicial para restauração: Territórios da Mata, em Machadinho (RS), com a ONG Solidaridad; Iniciativa Verde, com Agroicone e Caminhos da Semente; Rede de Sementes do Cerrado, com Araticum, ICMBio e cooperativas rurais de comunidades locais; PretaTerra, com o fundo UBS Optimus; Restaura Tocantins, com o governo estadual e Instituto Perene; Orla do Lago Paranoá, com o governo do Distrito Federal; e Fazenda São Geraldo, em parceria com Bioflora.

"Os projetos que estamos lançando agora não estão dentro da cadeia de soja, mas são os que esse grupo de especialistas entendeu que faziam sentido não apenas pela região onde estavam, mas por como estão estruturados, pelos parceiros, pelo impacto em termos de engajamento de uma cadeia de produção de sementes e mudas e de técnicos para que possamos depois escalonar e nos inspirar nesses modelos", disse Renata.

A expectativa agora é atrair propostas de propriedades que cultivam soja. "Queremos olhar prioritariamente para as fazendas que fornecem grãos de soja e tenham algum passivo ambiental por conta do Código Florestal e precisem fazer um programa de restauração", afirmou Renata. A empresa arcará com os custos da restauração, que costumam incluir a contratação de técnicos e a compra de sementes e mudas, para os projetos contemplados. Para a Cargill, o programa contribui para garantir que 100% da cadeia de suprimento esteja de acordo com as exigências da legislação brasileira. "Estamos olhando prioritariamente Cerrado e Mata Atlântica, mas vamos olhar Amazônia também."

Já o braço de regularização ambiental foi desenvolvido a partir de conversas com produtores do Maranhão. Em parceria com a consultoria Preserv, a empresa está atuando junto a 35 produtores de cinco municípios no Sul do Estado, o equivalente a 60 mil hectares de Cerrado, para melhorar a qualidade do Cadastro Ambiental Rural (CAR). "Estamos disponibilizando uma consultoria que vai fazer uma avaliação do CAR daquela propriedade e, em caso de necessidade de ajustes, indicar o que precisa ser feito para melhorar a qualidade do cadastro", observou a executiva. Segundo Renata, um dos gargalos para validação do CAR pelas secretarias estaduais é que ele muitas vezes chega com sobreposições e erros. "O que queremos fazer é melhorar essa primeira etapa, revisar a qualidade do CAR da nossa cadeia e, quando necessário, apontar o que precisa ser melhorado no cadastro para que a secretaria também diminua seu tempo de avaliação e validação dos cadastros."

A empresa não revela os desembolsos do programa. "Restauração é uma coisa que depende do tipo de solo, da região e técnica que você está usando. Vai depender de várias coisas, inclusive se existe ali uma cadeia de fornecimento de sementes e mudas, se existem técnicos na região ou tem que trazer de fora", disse Renata. Segundo ela, estudos mostram intervalo de custo de restauração por hectare entre US$ 1 mil e US$ 10 mil a US$ 20 mil, dependendo do nível de degradação do solo.

A Cargill lançará o edital anualmente para contemplar novas iniciativas, e o grupo técnico vai continuar ajudando na análise dos projetos. "Estamos fazendo um mapeamento para entender quais são as áreas onde identificamos a maior quantidade de passivo ambiental dentro da nossa cadeia para oferecer esse programa com mais ênfase para esses produtores rurais", concluiu a executiva.

Contato: leticia.pakulski@estadao.com
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