Economia & Mercados
27/09/2021 08:57

Especial: De olho na redução de custos, mais distribuidoras aderem ao Pix


Por Denise Luna

Rio, 24/9/2021 - A Light e a Equatorial são as mais recentes distribuidoras de energia elétrica a adotarem o Pix para seus clientes, uma modalidade que mesmo antes de completar um ano caiu no gosto do brasileiro, impulsionada pelo longo período de isolamento social causado pela pandemia do covid-19.

Com a fila puxada pela Neoenergia, primeira a usar o sistema - em novembro do ano passado, quando o Pix foi lançado -, a expectativa é de que todas as distribuidoras passem a oferecer o serviço, que pode ajudar as empresas a reduzir custos com a arrecadação bancária e os clientes, os cortes de energia.

De acordo com o superintendente de Estratégia Financeira da Light, Gustavo Werneck, evitar o corte de fornecimento é uma das vantagens para os quatro milhões de consumidores atendidos pela companhia. Por ser mais ágil, rápido e sem necessidade de sair de casa, é uma facilidade que pode inclusive reduzir a inadimplência. A empresa preferiu aguardar um tempo para aderir ao sistema, para avaliar os resultados com calma.

"A gente preferiu não ser o desbravador, porque sabe que toda tecnologia quando é nova tem particularidades. Entramos na segunda onda, para que todos esses mapeamentos de fragilidade não trouxessem problemas quando implementado. E buscamos um custo bem mais baixo do que quem entrou no começo", informa Werneck.

Para a companhia, é uma economia que só poderá ser mensurada no médio prazo, já que as primeiras contas com Pix chegam em outubro e não há como projetar o interesse dos clientes. Mas se todos aderissem, informa Werneck, a Light economizaria parte dos R$ 40 milhões que gasta todo ano com a arrecadação bancária, já que a tarifa do Pix é "muito, muito, muito mais barata", diz.

Ele informa que cada ponto porcentual das contas pagas por Pix significa uma economia de R$ 360 mil por ano. "Se atingir 10% da base, é uma economia de R$ 3,6 milhões", informa.

Ele destaca que com a pandemia cresceu o patamar de digitalização dos clientes da Light, o que pode indicar uma boa aceitação também para o novo sistema.

"Se a gente olhar janeiro de 2020, as modalidades eletrônicas eram 55% do total de contas arrecadadas. Hoje corresponde a 69%, ou seja, o cliente ficou mais em casa e pagou mais a conta de casa", explica Werneck. "Hoje a gente tem nossos planos e espera que seja um porcentual interessante que migre para essa modalidade, e espera que essa economia seja bem representativa", afirma.

A Equatorial disponibilizou este mês a modalidade aos seus clientes do Maranhão, Pará, Piauí e Alagoas. De acordo com o gerente Corporativo de Cobrança do Grupo Equatorial Energia, Jean Gama, a decisão de adotar a novidade se deu pela facilidade da ferramenta.

"Como a sua compensação é mais rápida, o PIX traz uma maior eficiência ao processo de pagamento das contas de energia, além da garantia da segurança das transações", explica. "Ele permite que o cliente pague suas contas com segurança sem sair de casa, a qualquer hora do dia, nos sete dias da semana, inclusive feriados, usando apenas o aparelho celular, evitando deslocamentos e filas", completou.

No grupo Energisa, uma das primeiras a adotar o Pix, o sistema já representa 5% da arrecadação e tende a crescer. A empresa tem investido em campanhas de engajamento para incentivar o novo meio de pagamento.

"Lançamos em Mato Grosso, por exemplo, uma promoção que a Energisa pagará até R$ 5 mil de conta para o cliente que paga via Pix e for sorteado. O resultado sai em outubro e, a partir daí, queremos expandir essa promoção para as demais unidades de atuação da Energisa", informa Antonio Tovar, diretor de Finanças do grupo que tem 11 distribuidoras espalhadas pelo País.

Segundo ele, uma das vantagens do Pix é que o pagamento é identificado imediatamente e está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive nos finais de semana e feriados. E todos os clientes que possuem uma conta corrente, conta poupança ou uma conta de pagamento digital, têm acesso ao serviço.

"A nossa expectativa é que todos os nossos mais de oito milhões de clientes que possuem uma conta corrente, conta poupança ou uma conta de pagamento digital possam se beneficiar dessa nova forma de pagamento instantâneo", afirma.

Assim como a Light, a Energisa avalia que a pandemia acelerou muito a utilização dos canais e plataformas digitais de pagamento disponíveis.

"O Pix contribui para aumentar a segurança das transações financeiras, aprimora a experiência dos clientes e a inclusão financeira. Não só o Pix cresceu, bem como todo o atendimento através dos nossos canais digitais", diz Tovar.

Segundo dados do Banco Central, com um mês de operação foram movimentados R$ 83,4 bilhões em transações do Pix por vários setores da economia, um total de 92,5 milhões no período. Até o final de dezembro de 2020, pouco mais de dois meses depois do início da fase de testes, foram mais de 125 milhões de chaves do Pix registradas, por mais de 55 milhões de pessoas. Desse total, 53,2 milhões de pessoas físicas e 3,3 milhões de empresas, informa o BC.

Contato: denise.luna@estadao.com
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