Economia & Mercados
13/09/2022 16:05

Especial: Serviços crescem mais que o previsto em julho e corroboram PIB mais forte no 3ºtri


Por Cícero Cotrim

São Paulo, 13/09/2022 - O setor de serviços cresceu acima do esperado em julho e sinalizou um desempenho mais forte da atividade econômica no início do terceiro trimestre. Para economistas ouvidos pelo Broadcast, o resultado impõe um viés positivo para as projeções de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do período e, consequentemente, de 2022.

"Essa alta de 1,1%, praticamente 0,4 ponto acima do projetado pelo mercado, reforça que a gente continua com um segundo semestre com atividade mais forte e deve fazer com que várias casas continuem revisando para cima a projeção de PIB [de 2022], entre 2,5% e 3,0%", resumiu o estrategista da RB Investimentos Gustavo Cruz. A mediana do último relatório Focus indicava crescimento de 2,39% para o PIB este ano.

O avanço dos serviços não só superou a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 0,7%, como deixou carrego positivo de 1,8% para o terceiro trimestre. O número sugere aceleração do ritmo de expansão da atividade no período, já que, no trimestre anterior, o segmento registrou ganho de 1,3% na margem. A herança estatística para 2022 é positiva em 7,1%.

Após a divulgação dos números, a XP Investimentos informou que o seu tracker de crescimento do PIB no terceiro trimestre, na margem, avançou de 0,5% para 0,6%. Outras instituições, como Banco Mizuho e AZ Quest, mantiveram as projeções de expansão da atividade no período - de 0,3% em ambos os casos -, mas reconheceram um viés de alta devido ao resultado.

Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Mizuho, o desempenho acima do esperado dos serviços sugere que o setor pode "amortecer" o freio previsto para a economia no segundo semestre. "A tendência de desaceleração da atividade, a meu ver, permanece válida. Mas a surpresa do setor de serviços sugere que essa desaceleração pode acontecer de forma mais gradual", pondera.

O analista lembra que, em julho, a sazonalidade positiva das férias pode ter contribuído para o crescimento dos serviços prestados às famílias (0,6%) e dos transportes aéreos (6,8%), em especial porque não houve recrudescimento da Covid-19 no período. Com os impactos defasados da política monetária e o fim da recuperação cíclica do pós-pandemia, Rostagno espera queda de 0,1% do PIB no quarto trimestre. A projeção para 2022 é de alta de 2,7%.

A economista-sênior da AZ Quest Mirella Hirakawa não só incluiu um viés de alta à sua projeção de crescimento do PIB do terceiro trimestre após a divulgação dos dados, como reconhece que a estimativa para 2022 deve saltar dos atuais 2,7% para um nível próximo de 3,0%. A magnitude do crescimento dos serviços em julho surpreendeu positivamente, afirma a analista.

Hirakawa lembra que o mês se situa entre os impulsos fiscais concedidos pelo governo no segundo trimestre - como a liberação de saques do FGTS e a antecipação do 13º de aposentados e pensionistas - e o início dos pagamentos do Auxílio Brasil de R$ 600, em agosto. "A gente tem de lembrar que julho era um mês que tinha, aparentemente, poucos drivers para esse crescimento", nota Hirakawa.

Com os serviços prestados às famílias ainda 5,7% abaixo do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, Hirakawa nota que a tendência é de que o setor ainda beneficie o crescimento da atividade no ano. As projeções da AZ Quest indicam PIB estável (0,0%) no quarto trimestre, com impacto do aperto monetário, mas a analista reconhece que os estímulos fiscais colocam em dúvida o timing deste efeito.

Contato: cicero.cotrim@estadao.com
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