Economia & Mercados
30/06/2020 08:20

BR Distribuidora avança no setor de gás natural e mira atuação no futuro mercado livre


Por Wellington Bahnemann

São Paulo, 29/06/2020 - A BR Distribuidora, privatizada em 2019, tem planos de ampliar a sua participação no mercado de gás natural brasileiro. A companhia, que em fevereiro firmou acordo com a norueguesa Golar Power para estudar a distribuição de gás natural liquefeito (GNL) em pequena escala, obteve no último dia 25 autorização para atuar como comercializadora de gás da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

"Dentro da nossa estratégia, a maior ambição é estar preparado para poder oferecer ao cliente a energia que ele quiser escolher, e a gente acredita muito que o gás natural caminha para ser uma das formas mais escolhidas da sociedade em um futuro não muito distante", comentou o diretor Comercial da área de B2B da BR Distribuidora, Marcelo Cruz, em entrevista ao Broadcast Energia.

Neste contexto, o executivo explicou que a autorização obtida pela companhia para atuar como comercializadora no mercado livre de gás é complementar ao acordo firmado com a Golar Power. O projeto das duas empresas prevê o uso do GNL tanto como combustível para o uso em caminhões, substituindo o diesel, quanto para o uso por indústrias, comércios e residências em locais em que não há rede de gasodutos de transporte e dutos de distribuição.

"Essa parceria com a Golar já mira a distribuição do GNL, seja como combustível, seja também para oferecer o gás natural em substituição a outros energéticos, usando o GNL como modal de transporte. A depender do cliente, podemos chegar com o gás por meio deste modal ou por meio do gasoduto na comercialização do insumo", afirmou. A Golar vem desenvolvendo vários projetos terminais de importação de GNL no Brasil, sendo que, recentemente, a companhia colocou em operação uma instalação em Sergipe.

A obtenção da autorização junto à ANP é vista pela BR Distribuidora como um dos passos necessários para que a empresa possa atuar no mercado livre de gás. Cruz aponta que é importante que o governo federal avance na regulação do acesso por terceiros à malha de gasodutos. "Por ser uma indústria de rede, a gente precisa ter passos estruturantes, como as regras de acesso ao sistema de transporte, para as empresas terem capacidade para carregar e comercializar o gás natural", afirmou o executivo.

Entre as questões que precisam ser regulamentadas estão a definição dos pontos de entrada e saída dos gasodutos e as respectivas tarifas, as regras para contratação da capacidade dos gasodutos e a normativa de cessão de capacidade pela Petrobras. "Todos são pontos fundamentais para se estabelecer o mercado livre de gás", afirmou. Está nos planos da companhia também obter autorização para atuar como carregador do gás, figura responsável pela contratação de capacidade de transporte no gasoduto.

Distribuição

A história da BR Distribuidora no mercado de gás é anterior à parceria com a Golar e à autorização para atuar como comercializadora. A companhia detém participação acionária na distribuidora de gás natural no Espírito Santo, empresa pré-operacional que foi batizada recentemente de ESGás. O fato de já estar presente neste mercado poderia despertar o interesse da BR Distribuidora na disputa pela compra da Gaspetro, holding que consolida as participações da Petrobras nas concessionárias estaduais de gás.

Cruz, contudo, afirmou que a estratégia da BR Distribuidora no setor de distribuição de gás ainda está em avaliação pela companhia. "Estamos avaliando se ficamos no negócio de distribuição ou não. Ainda não temos uma posição formal sobre isso", comentou o executivo, ressaltando que a companhia tem um desejo claro de "estar mais presente no segmento de comercialização".

Neste momento, o executivo comentou que o foco da BR Distribuidora neste segmento do mercado de gás é o de viabilizar o início da operação da ESGás. "Conseguimos fazer um movimento com o governo do Estado para resolver a questão da concessão, e a nossa prioridade neste momento é viabilizar a operação da ESGás para depois avaliarmos a nossa atuação dentro deste segmento", comentou Cruz.

Contato: wellington.bahnemann@estadao.com; energia@estadao.com
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