Economia & Mercados
02/12/2019 10:47

Abiquim/De Marchi:medidas do novo mercado de gás foram tomadas,mas efeitos não chegaram às cias


Por Luciana Collet

São Paulo, 02/12/2019 - O setor de indústria química declara estar esperançoso, mas preocupado com o futuro. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Marcos De Marchi, destacou como positivo o lançamento, em julho passado, do novo mercado do gás, uma demanda histórica do setor. Mas alertou que embora as primeiras medidas tenham sido adotadas, os reflexos positivos ainda não chegaram às empresas. "O Novo Mercado do Gás precisa rapidamente sair do papel", defendeu, na abertura do Encontro Anual da Indústria Química. O gás natural representa, ao mesmo tempo, fonte de energia e matéria-prima para a indústria química. Segundo De Marchi, o custo do produto no Brasil é três a quatro vezes maior que nos EUA e o dobro do verificado na Europa.

Ainda entre os alertas citados pelo executivo está o peso da carga tributária. Ele fez um apelo "urgente pela reforma tributária", de forma a permitir uma isonomia entre produtos nacionais e importados. "O ICMS efetivo é maior no produto nacional que no importado", citou, salientando que isso resulta em redução de competitividade do produto nacional e consequentemente em menor produção, emprego, renda e investimentos.

De Marchi destacou, ainda, preocupação com a abertura comercial, diante da possibilidade desta se anteceder à redução do custo Brasil e à solução de problemas específicos, o que, segundo ele, teria "resultados catastróficos". O executivo da Abiquim comentou que essa preocupação foi levada na semana passada para o ministro da Economia, Paulo Guedes, que teria indicado um posicionamento firme de que essa inversão não vai acontecer. "Somos favoráveis à inserção internacional, mas a abertura tem de ser gradual, previsível, e consideradas as especificidades do setor".

O presidente da Abiquim defendeu que o Brasil precisa adotar um modelo regulatório para questões especificas e citou que a entidade apresentou uma proposta, que ainda precisa ser encaminhada pelo Executivo ao Congresso.

Dentre as questões que, segundo o executivo, dão esperança ao setor estão a medidas já tomadas ao longo deste ano, como a reforma da Previdência, a lei da desburocratização, a privatização de empresas estatais, a desoneração da folha de pagamento e a redução do déficit primário. Segundo ele, apesar de resultados inexpressivos de 2019 e dos alertas para os avanços que ainda precisam ser feitos, há esperança, mas defendeu celeridade na agenda de reformas.

Contato: luciana.collet@estadao.com
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