Economia & Mercados
07/12/2017 15:20

MAN prevê alta de 10% a 20% no mercado de caminhões em 2018 e cita risco político


São Paulo, 07/12/2017 - A fabricante de caminhões MAN Latin America, responsável no Brasil pela produção dos modelos da Volkswagen e da própria MAN, estima que o mercado interno deve crescer de 10% a 20% em 2018, depois da estabilidade que se espera para este ano. A projeção foi informada nesta quinta-feira pelo presidente da empresa, Roberto Cortes, em encontro com jornalistas.

Cortes explicou que o mercado poderia crescer ainda mais no ano que vem, não fosse a incerteza com o resultado da eleição presidencial. O executivo ressaltou que o cenário mais favorável seria com a vitória de um candidato que defenda a continuidade das reformas econômicas. Se isso acontecer, ele disse, as vendas de caminhões podem ter um "boom" em 2019. "Temos de passar o ano eleitoral", declarou o executivo, que reafirmou o plano de investir R$ 1,5 bilhão entre 2017 e 2021.

O "boom" de 2019, na projeção de Cortes, seria suficiente para fazer o mercado brasileiro de caminhões voltar ao nível de 100 mil unidades vendidas, o dobro do que se espera para o fechamento de 2017. O resultado seria possível mesmo sem a aprovação das reformas em 2018, mas "só pela expectativa" que se criaria com a vitória de um candidato reformista.

Para ele, o mercado de caminhões poderia viver em 2019 o que a Argentina tem experimentado em 2017, primeiro ano da gestão do presidente Mauricio Macri, tido como um governante favorável aos negócios. "O mercado de caminhões na Argentina deve crescer cerca de 60% este ano", estima o presidente da MAN.

Apesar de projetar crescimento de 10% a 20% para o mercado brasileiro em 2018, o executivo evita euforia. Ele disse que, mesmo que o avanço seja de 20%, as vendas vão a 60 mil unidades e ainda estarão distantes do auge atingido em 2011, de 172 mil unidades. "O pior da recessão já passou, mas ainda temos um longo caminho pela frente", disse.

Questionado sobre o risco de um candidato não reformista vencer a eleição presidencial, Cortes argumentou que a economia tem se descolado da política, mas não totalmente. Com isso, ele acredita que o mercado continuaria crescendo nesse cenário, mas de forma mais lenta, voltando ao nível de 100 mil unidades por ano só depois de 2019. "Não queremos que o Brasil ande nem para a esquerda nem para a direita, mas para a frente", disse.

Os fatores que devem ajudar na expansão do mercado em 2018, explicou, são o crescimento do PIB, a redução das taxas de juros e a necessária renovação da frota de caminhões. "A idade média da frota no Brasil está em 17 anos, mais que o dobro do que se vê nos EUA, de sete a oito anos", comparou. (André Ítalo Rocha - andre.italo@estadao.com)
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