Economia & Mercados
14/04/2022 18:09

Exclusivo:Espaços vagos em prédios corporativos em SP caem pela 1ª vez desde início da pandemia


Por Circe Bonatelli

São Paulo, 14/04/2022 - A quantidade de escritórios vagos na cidade de São Paulo caiu pela primeira vez desde o começo da pandemia, indicando que a recuperação do mercado imobiliário comercial está ganhando tração. As locações de imóveis nos primeiros três meses deste ano superaram as devoluções, numa demanda puxada pelas empresas de tecnologia, finanças e turismo - setores que estão em crescimento.

Levantamento da consultoria imobiliária Binswanger antecipado para o Broadcast mostra que a vacância dos prédios corporativos na capital paulista recuou para 23,9% da área total no primeiro trimestre de 2022, após atingir o pico de 24,4% no quarto trimestre de 2021.

Os novos contratos de aluguéis firmados no período revelam uma área absorvida de 150 mil m2, enquanto os contratos encerrados equivalem a uma área devolvida de 106 mil m2. O resultado líquido foi uma absorção de 43,9 mil m2.

"As locações estão sendo encabeçadas pelas empresas de tecnologia. Muitas delas estão ampliando as operações, enquanto outras estão chegando agora ao Brasil", afirma o sócio-diretor da Binswanger, Nilton Molina Neto. O executivo também vê uma demanda crescente do setor financeiro e de turismo - este último voltando a faturar com a liberação das viagens.

Maiores inquilinos

A empresa chinesa de comércio eletrônico Shopee foi a responsável pela maior locação neste começo de ano, com 10 mil m2 no edifício Faria Lima Plaza, espigão recém-erguido no Largo da Batata. O imóvel se tornou o quartel-general das empresas tech, tendo ganhado como inquilina no começo do ano a Amazon, com 2 mil m2 de área alugada.

O segundo maior contrato do trimestre foi da Kavak, startup mexicana especializada em compra e venda de carros usados. A empresa ficou com 9 mil m2 no complexo no Parque da Cidade, na Marginal Pinheiros. A terceira do pódio foi a mineira Befly, holding com operações crescentes no setor de turismo. Ela fechou contrato para ocupar 7 mil m2 no prédio Paulista Star, nos Jardins. Sodexo, Riachuelo, Ibmec e Saint Gobain são outros exemplos de empresas que expandiram suas sedes neste começo de ano.

“Ouvimos muitos anunciarem que o trabalho remoto seria uma situação permanente. Mas isso não se concretizou”, diz Molina Neto. “A sinergia faz falta. Não existe inovação sem contato próximo. É difícil compartilhar os valores das empresas com funcionários que estão à distância. Por isso, as empresas voltaram para seus espaços corporativos, ainda que em formato híbrido”, avalia.

A recuperação do mercado pode ser comprovada também por outro levantamento exclusivo fornecido pela consultoria Newmark ao Broadcast. Aqui, a vacância foi calculada em 23,8% no começo de 2022 ante 24,7% no fim de 2021. Mas ainda distante do visto antes da pandemia eclodir, quando estava em 15% no começo de 2020.

“O mercado tem tudo para seguir aquecendo, com mais locações daqui para frente”, estima a diretora de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark, Mariana Hanania, citando a recuperação gradual da economia brasileira, o avanço da vacinação e a diminuição das restrições impostas pela pandemia.

Hanania afirma que a redução na vacância também foi favorecida pela menor quantidade de entrega de obras, mantendo a oferta sob controle. Foi entregue apenas um único edifício neste começo de ano, no bairro de Pinheiros, com a área de 4 mil m2. Ao todo, os prédios com previsão de ficarem prontos em 2022 acrescentarão 210 mil m2 de área disponível para locação, um patamar inferior ao da média anual histórica de 250 mil m2 (2007 a 2020).

A diretora da Newmark pondera que, apesar do cenário promissor, o mercado ainda enfrenta turbulências, haja vista a quantidade grande de devoluções. “Em muitos casos, as empresas que voltaram aos escritórios remodelaram os espaços e cortaram áreas porque parte dos colaboradores está no local e outra parte em casa. E ainda há grandes empresas postergando o retorno”, complementa Hanania.

O sócio-fundador da empresa de investimentos imobiliários Barzel, Nessin Sarfati, também acredita que a recuperação será gradual. A companhia intermediou a locação de 10 mil m2 no primeiro trimestre de 2022, uma melhora considerável frente ao primeiro semestre de 2021, quando não fechou aluguel algum. "A partir de maio, com maior previsibilidade sobre a economia, vamos ter uma demanda crescente das empresas por imóveis. Não vai ser um boom, mas vai ter consistência", prevê.

Sarfati também acredita que há, de fato, disposição dos trabalhadores em voltar aos escritórios, mesmo que só alguns dias por semana. Um exemplo é o Edifício Thera Corporate, na Berrini. Em janeiro, apenas 16% do público total frequentou o imóvel. Em fevereiro, foram 23%, e em março, 40%. "Quem volta ao escritório pede mais espaço entre as estações de trabalho, e as empresas estão se readequando", aponta.

Contato: circe.bonatelli@estadao.com
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