Política
16/10/2020 17:35

Exclusivo: Centrão aposta em bancada feminina para ganhar força na sucessão de Maia


Por Daniel Weterman

Brasília, 16/10/2020 - Com o argumento de que é preciso uma mulher para presidir a Comissão Mista do Orçamento (CMO), o Centrão aposta no apoio da bancada feminina para enfrentar o grupo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e chegar com mais força na disputa pelo comando da Casa, em fevereiro de 2021.

A primeira etapa dessa estratégia consiste em tentar emplacar a deputada Flávia Arruda (PL-DF) na presidência da comissão do Congresso que define o destino das verbas federais. O discurso do grupo destaca a “oportunidade” de ter a primeira mulher deputada coordenando a elaboração do orçamento federal - a comissão já foi presidida pela senadora Rose de Freitas (Pode-ES) em 2015.

A presidência da comissão é disputada pelo deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), aliado de Maia, e pela deputada Flávia Arruda (PL-DF), do grupo de Arthur Lira (PP-AL), apontado como possível candidato à presidência da Câmara em fevereiro em oposição ao DEM. Na prática, ter o controle da comissão pode aumentar o cacife eleitoral de um partido na disputa pelo comando da Casa.

A comissão ainda não foi instalada e, sem a votação de projetos orçamentários, a situação ameaça os gastos do governo para 2021. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), responsável por convocar a instalação do colegiado, pediu para que os deputados entrem em um acordo sobre a presidência para só então acionar o início dos trabalhos. A comissão é responsável por votar, entre outros propostas, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Seis mulheres foram indicadas como titulares da Comissão Mista de Orçamento neste ano - cinco deputadas e uma senadora. São elas: Margarete Coelho (PP-PI), Flávia Arruda (PL-DF), Rosangela Gomes (PRB-RJ), Professora Dorinha (DEM-TO), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Leila Barros (PSB-DF). Dorinha é do grupo de Maia. O centrão busca apoio das demais para somar votos a Flávia Arruda.

"Mesmo que isso não seja a questão central, porque não é uma briga de gênero, é uma oportunidade de as mulheres ocuparem um espaço que nunca foi dado a elas", afirmou Flávia Arruda ao Broadcast Político. Para ela, a comissão precisa ser instalada o quanto antes independentemente de acordo. "Se estão protelando para ver até onde uma mulher aguenta, é porque não conhecem a força e a determina de uma e todas as mulheres juntas."

Outro argumento do grupo para atrair o apoio da bancada feminina é articular a indicação de recursos no orçamento federal para políticas específicas voltadas às mulheres. "Se fosse indicado um homem deputado, não receberia as contestações que o nome da deputada Flávia tem sofrido. Não é só a questão política. As pessoas acham que as mulheres não podem ocupar esses espaços", declarou a deputada Margarete Coelho (PP-PI), indicada como titular da CMO e uma das articuladores da candidatura de Flávia Arruda na comissão.

Contato: daniel.weterman@estadao.com
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