Política
13/03/2018 09:19

Em caderno especial sobre SP, FT traz perfil de Doria e escolhas do PSDB para a presidência


Londres, 13/03/2018 - A sete meses da eleição para Presidência da República no Brasil, a cidade de São Paulo ganhou um caderno especial na edição de hoje do jornal britânico Financial Times. A reportagem principal começa dizendo que se o mundo estivesse à procura de uma figura como a do argentino Emmanuel Macron nas próximas eleições do Brasil, alguns argumentariam que não deveriam procurar além dos escritórios do controverso milionário do município, João Doria.

"Lá, uma foto do ex-empresário apertando a mão do presidente da França o retrata como um homem com o coração em São Paulo, mas com a cabeça concentrada em Brasília", descreve o periódico. "Gostei do setor privado, mas estou gostando de ser gerente no setor público", disse ele ao FT, com um pin em forma de coração de São Paulo na lapela do paletó. Doria, que já trabalhou na televisão, com publicidade, planejamento de eventos e publicação de revistas, nunca concorreu a um cargo público antes da vitória esmagadora sobre o Partido dos Trabalhadores nas eleições municipais de 2016.

De acordo com o texto, ele se tornou, e parece gostar de ser, um político divisório na maior cidade da América do Sul. A reportagem relata que, entre as controvérsias que despertou estão as que envolveram grafiteiros que tiveram suas obras cobertas nas ruas e a desocupação da "Cracolândia", ocupada por viciados em crack. Também traz que, enquanto para alguns paulistanos ele é "o cara", também se vê pela cidade frases de "Fora Doria".

Apontado como um homem de marketing e um vendedor natural de sua própria imagem, Doria é uma espécie de sombra de Donald Trump , já que também foi apresentador da versão brasileira do programa de televisão "O Aprendiz". "Na mesma linha, ele retrata-se como alguém de fora que transforma São Paulo em uma 'cidade inteligente' com processos digitais em vez de uma burocracia infinita", apontou o jornal. Doria explicou ao diário que, até 30 de maio do ano passado, demorava-se 126 dias para abrir uma empresa na cidade e hoje são necessários cinco dias. "A partir de 1 de julho, serão dois. Esta é uma transformação. Com isso, ganharemos tempo, velocidade, controle, transparência e reduziremos muito a corrupção", citou.

Viciado em Trabalho - Doria tem 60 anos e poderia ser descrito como um viciado em trabalho, conforme o Financial Times. Ele costuma ter reuniões noite a dentro e, como um "ávido" usuário do Twitter, adotou a hashtag "João trabalhador". O jornal lembra que os escândalos de corrupção do Brasil, como os que aparecem na Operação Lava Jato, levou a população a um desencanto geral com os políticos, o que ajudou a levá-lo ao cargo. "Sua ideia de que São Paulo se tornou uma cidade mais empreendedora sustentou sua popularidade e o ajudou a uma vitória decisiva no primeiro turno da eleição da prefeitura. Ele até foi citado como um candidato presidencial."

Suas intenções de voto caíram, no entanto, com muitos cidadãos se sentindo desapontados. Isso ocorre, em parte, porque, dizem alguns críticos, passou muito tempo viajando para o exterior ou pelo Brasil. Doria defende que suas inúmeras viagens no ano passado - à Ásia, ao Oriente Médio, à Europa e aos EUA - são "amplamente justificadas". Ele estava procurando angariar R$ 7 bilhões, vendendo 1,2 mil ativos municipais para investidores privados. Entre as propriedades estão o circuito da Fórmula 1 de São Paulo, que custa à cidade R$ 120 milhões por ano em gerenciamento.

Suas viagens pelo Brasil foram vistas por alguns especialistas como uma campanha para a Presidência este ano. "Nenhuma viagem foi paga com dinheiro público", argumentou. "Eu tenho meu helicóptero, meu avião privado", continuou. O FT lembra que ele chegou a ser alvo de ovos em Salvador, capital da Bahia, Estado do Nordeste do País.

Em São Paulo, provocou um protesto com a sugestão d a comida reconstituída "farinata", feita de farinha e macarrão perto do prazo de validade, que poderia ajudar a alimentar os pobres da cidade, e também os 15 mil sem-teto. Alguns de seus críticos a chamaram de "comida para cães". Ele respondeu dizendo a sua administração trabalha para melhorar a vida dos que estão à margem, fornecendo novos abrigos e por meio de parcerias com empresas como o McDonald's.

Embora tenham comparado Doria ao presidente dos EUA e ao ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, ele se compara a Michael Bloomberg, o milionário ex-prefeito de Nova York. O prefeito ressalta que o americano é "totalmente pró-privatização" e defende um "estado menor". O presidente argentino e ex-prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, é outro personagem ao qual ele diz se assemelhar. "Eu conheço ele e eu gosto dele", disse Doria. "Ele é moderno, eficiente, transformador e corajoso."

Alckmin - Com as eleições gerais de outubro abertas, a questão é qual o próximo passo de Doria. Geraldo Alckmin, o veterano governador do estado de São Paulo, foi escolhido como o candidato presidencial do PSDB, também o do prefeito. "Espera-se que o prefeito deixe seu cargo em abril para tentar o lugar do governador na eleição, mas alguns membros acreditam que ele pode concorrer à presidência se a popularidade de Alckmin, atualmente o quarto nas pesquisas, não subir", trouxe o FT.

Doria continua enigmático sobre o assunto, conforme o texto. "Sem coragem, você não faz nada", defendeu. "Não há vitória sem dor." O PSDB foi retratado como um dos maiores partidos do País e inclui defensores e opositores do impopular presidente Michel Temer. Alckmin, que cresceu a 150 km ao norte da cidade de São Paulo, é o candidato presidencial mais provável. No entanto, há preocupações porque ele é praticamente desconhecido fora do Estado mais rico e populoso do Brasil.

Em uma pesquisa em janeiro sobre as intenções de voto, Alckmin foi citado por apenas 7% dos eleitores em três estados-chave, onde o seu partido tradicionalmente garante um forte apoio - Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Essa foi a metade do nível de apoio ao antecessor do partido, Aécio Neves, nesta fase da campanha de eleição presidencial de 2014 contra Dilma Rousseff. Os candidatos têm até agosto para anunciar formalmente que são candidatos.

Entre as possíveis opções, estão o senador do PSDB Cássio Cunha Lima, no Centro-Oeste, e o atual prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, no Nordeste . O nível de influência de Alckmin fora de seu Estado pode ter sido subestimado, no entanto, de acordo com o FT. Se nenhum outro candidato presidencial corresponder a sua experiência ou falhar em questões nacionais, Alckmin pode estar a caminho de se tornar o candidato mais crível. (Célia Froufe, correspondente - celia.froufe@estadao.com)
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