Política
22/05/2020 21:09

Em reunião, Moro fez poucas intervenções e não respondeu a Bolsonaro sobre intervenções


Por Amanda Pupo, Jussara Soares, Rafael Moraes Moura, Julia Lindner, Pepita Ortega e Paulo Roberto Netto

Brasília, 22/05/2020 - O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro não interveio durante a reunião ministerial do dia 22 de abril quando o presidente Jair Bolsonaro pediu a troca da "segurança nossa" no Rio de Janeiro, citando a proteção de familiares e amigos, ou quando o presidente afirmou que iria interferir em todos os ministérios, “sem exceção”.

É o que aponta a transcrição da reunião feita pela Polícia Federal. A gravação do encontro foi divulgada nesta sexta-feira, 22, e é considerada peça-chave no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura as acusações de Moro de que Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal.

Moro fez poucas intervenções durante o encontro, e se limitou a pedir que o plano de recuperação social e econômica Pró-Brasil também abordasse questões de segurança pública e de controle de corrupção, segundo a transcrição.

A declaração do ex-ministro sobre o Pró-Brasil é feita logo após Bolsonaro afirmar que não poderia “viver sem informação” e ser “surpreendido com notícias”. “Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações”, disse o presidente na ocasião. Após sair do Ministério da Justiça e acusar o presidente de tentativas de interferência na corporação, Moro alegou que a reunião realizada no dia 22 seria uma prova dessa movimentação de Bolsonaro.

“E não dá pra trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô!”, disse também Bolsonaro. Nesse momento, o presidente olha para o lado onde estava Sérgio Moro.

No encontro, o presidente também afirmou que não iria esperar o “barco começar a afundar pra tirar água” e que, portanto, iria interferir em todos os ministérios. “A pessoa tem que entender. Se não quer entender, paciência, pô! E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção”, disse sem citar o ex-ministro da Justiça especificamente.

Em outro momento da reunião, o presidente afirmou que já tentou trocar “gente da segurança nossa no Rio de Janeiro”, e que não teria conseguido. “E isso acabou. Eu não vou esperar f. a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro, no entanto, alegou que se referia à sua segurança pessoal, que é feita pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e não pela PF. Na ocasião, o ministro do GSI, Augusto Heleno, também não fez intervenção sobre a fala, de acordo com a transcrição da reunião feita pela PF.

Relator do inquérito que investiga as declarações de Moro é responsável por levantar o sigilo da reunião ministerial, o ministro Celso de Mello decidiu tornar pública a maior parte do encontro, restringindo a divulgação apenas de declarações que fazem referência a determinados países.

A reportagem entrou em contato a defesa de Moro, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
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