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03/06/2020 16:17

Por que o dólar se valorizou no primeiro quadrimestre de 2020?


Niterói--(DINO - 03 jun, 2020) -
Desde o começo da pandemia da covid-19 o mundo entrou num verdadeiro caleidoscópio que muda a todo instante. A realidade nos primeiros quatro meses de 2020 é completamente diferente daquela projetada em dezembro de 2019.


Cidades vazias, fábricas paradas, trabalho e estudo remotos, economias do mundo todo enfrentando uma reviravolta. No Brasil, alia-se ao caos a instabilidade política, já recorrente, mas agravada pelas controvérsias em torno da condução do enfrentamento da crise sanitária.


Na economia, o clima não é diferente. Com as atividades econômicas paralisadas, muitas empresas, especialmente as pequenas, estão quebrando e outras fazendo cortes expressivos em suas folhas de pagamento.


Enquanto isso, o dólar segue disparando na casa dos R$ 5, tendo enfrentado uma alta de 4,69% somente em abril e uma valorização de 35,5% no acumulado do ano.


Para entender o porquê dessa alta é preciso antes entender a dinâmica de variação cambial. O preço do dólar segue a lei da oferta e da procura, ou seja, será mais alto quanto maior a procura.


Em momentos de crise, como o atual, o comportamento comum dos investidores internacionais é vender a preço mais baixo as ações mais sujeitas à instabilidade e investir em ativos seguros como dólar e ouro, por exemplo.


Com mais gente comprando e menos gente vendendo, o mercado fica inundado de papeis e desfalcado da moeda mais forte do mundo, levando à alta.


Logo, uma crise de alcance global como essa, o dólar é visto como o porto seguro dos investidores.


Para quem investe no Brasil, a crise é ainda mais séria, já que a situação política conturbada aumenta o risco Brasil, que mede a confiabilidade dos investidores no país.


Mas não é só isso que puxa a alta da moeda, considerando todas as negociações turismo, comercial ou mesmo o dólar paralelo. Lembrando que o último é um tipo de negociação ilícita sujeita a sanções legais.


Dólar no Brasil


Muitos são os fatores que contribuem para a valorização da moeda norte-americana neste momento de crise mundial.


No Brasil, a covid-19 desencadeou uma nova crise política, com a dissonância de pensamentos entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a equipe de Saúde, que já sofreu baixas importantes de ministros e de técnicos com a pandemia em curso.


Também o pedido de demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro, contendo acusações ao líder do Executivo, agravou a crise e provocou uma reação imediata do mercado, retrocedendo o movimento incipiente de recuperação e favorecendo ainda mais a apreciação da moeda norte-americana em território nacional.


Além disso, o país passa por uma instabilidade econômica decorrente da crise de 2014, sendo agravada pela disseminação do novo coronavírus, que ceifou milhares de vidas e de empregos, além de acentuar as desigualdades.


O baixo crescimento do país, que teve Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 1,1% em 2019 também contribui para valorizar a divisa.


E o cenário não é nada animador, já que o Banco Central projeta uma retração de, pelo menos, 3,34% do PIB nacional para 2020. Previsões mais pessimistas chegam a considerar até 10% no ano.


Aliado a isso, o Brasil enfrenta ainda uma mínima histórica de juros – com a taxa Selic chegando a 3% em maio – e as constantes mudanças no cenário político que, como já foi dito, influenciam diretamente na apreciação da moeda norte-americana.


Panorama mundial


Não bastasse a situação interna do Brasil, o dólar conta ainda com um cenário externo bastante favorável. O mais importante é a guerra comercial entre EUA e China, duas importantes forças econômicas que disputam a hegemonia.


Antes da crise, especialistas previam que a China desbancaria os EUA ainda este ano, mas o jogo virou quando o país asiático surgiu como foco da disseminação do novo coronavírus, responsável pela covid-19, doença respiratória grave que pode levar à morte em casos de complicação.


Sendo assim, os EUA têm complicado a vida do governo chinês, ameaçando novas tarifas comerciais. A incerteza beneficia ainda mais o dólar, rota de fuga segura para os investidores.  


Além desses é possível citar ainda a queda do preço das commodities (matérias-primas), primeiro setor impactado pela explosão do contágio na China.


E também o baque provocado pela pandemia nas economias do mundo todo, o fortalecimento da economia norte-americana e a instabilidade política da América Latina. Ambos são fatores determinantes para a valorização da moeda.



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