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Para Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, PIB deve crescer 2% neste ano
14 de março de 2025
Por Renata Pedini e Francisco Carlos de Assis
O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, diz que a atividade econômica no País já começou a desacelerar, mas não de forma abrupta nem forte, de forma que eliminou o viés de alta à projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% em 2025. “Parece razoável com o carrego estatístico de 2024 e o agronegócio”, afirma.
Já para 2026, projeta avanço de 1%. No conjunto, a figura é como a de um sorriso. Ao mesmo tempo, ele trabalha com a previsão de inflação de 6% este ano e expectativas se consolidando em patamar acima da meta, o que demanda ação do Banco Central. O Copom deve confirmar a indicação de elevação da Selic em 1 ponto porcentual na semana que vem e, no comunicado, indicar que o cenário-base ainda sugere ajuste adicional.
“Vai parecer estranho não sinalizar alta”, afirma Megale, que estima Selic de 15,5% ao final do ciclo, mas admite que a taxa básica pode parar de subir na vizinhança dos 15%. Leia abaixo os principais trechos da entrevista ao Broadcast:
Caio Megale: Vimos indicadores de atividade econômica mais tranquilos no final do ano passado, o PIB do quarto trimestre e agora no começo do ano também. Não é uma reversão abrupta, não estamos falando em recessão. Não estamos falando nem em desaceleração forte da economia. Mas eu diria que a economia no quarto trimestre do ano passado e no primeiro deste ano está crescendo de forma mais moderada do que nos três primeiros trimestres do ano passado.
Megale: Não tem a ver com fiscal porque quando a gente olha os números fiscais e despesas neste primeiro trimestre, eles continuam crescendo a um ritmo importante, inclusive os benefícios e as transferências. Já é um pouco de política monetária porque as taxas de juros mais altas exercem algum efeito sobre a propensão a consumir, a tomar crédito, e também um pouco de efeito base. Depois de crescer forte em 2023 e nos primeiros três meses de 2024, é natural que tenha alguma acomodação.
Megale: O nosso número é 2% de PIB para esse ano. Há três semanas estávamos com 2% e com viés de alta porque achávamos que com liberação do FGTS para quem tinha optado pelo saque-aniversário e com as perspectivas do consignado privado e de desoneração do Imposto de Renda, ainda que seja só para 2026, já teria alguma antecipação às expectativas. Mas agora, com os dados do 4º trimestre mais fracos que o esperado, retiramos o viés e ficamos só com a projeção de 2%, que parece razoável com o carrego estatístico de 2024 e o agronegócio.
Megale: Temos 1% de crescimento de PIB em 2026. Este ano a agropecuária vai ser mesmo muito forte e tem efeitos multiplicadores na economia, movimenta outros setores, gera renda e impulsiona consumo nas regiões ligadas ao agronegócio. Curiosamente, para 2026 será o oposto.
Megale: A inflação deste primeiro bimestre tem que ser vista em conjunto, janeiro e fevereiro. Tivemos um fator de volatilidade particular, que foi a questão do bônus de Itaipu, que deixou janeiro muito baixo e fevereiro muito alto. As contas caíram em janeiro por causa do bônus e voltaram em fevereiro.
Megale: É isso. Quem se arvorou e falou que janeiro foi o mais baixo durante muito tempo, ou estava mal-informado ou mal intencionado, porque fevereiro tinha um fator ali que claramente ia trazer a inflação de volta. Então, a gente tem que olhar esses dois indicadores como um conjunto. O que eles estão mostrando é que os detalhes da inflação continuam relativamente pressionados. Quando a gente tira aqueles itens mais voláteis, pega aquelas métricas que tentam captar a tendência subjacente da inflação, a gente percebe que ela vem rodando de 5% a 6% desde dezembro.
Megale: A inflação é um indicador defasado, reflete o que aconteceu na economia há seis, sete, oito meses atrás. É o reflexo do que aconteceu em 2024, quando a economia cresceu muito além do esperado, especialmente a demanda interna e a taxa de câmbio se desvalorizou fortemente. Então esta inflação que estamos vendo é reflexo desse movimento do ano passado, mas que, em parte, está se revertendo.
Megale: Acredito que, provavelmente, os gastos vão crescer menos esse ano. E com uma política monetária mais contracionista e uma política fiscal menos expansionista, a inflação tende a continuar revertendo.
Megale: As expectativas subiram bem desde o final do ano passado para cá, acho que refletindo esses fundamentos que eu falei, que sugeriam uma inflação mais alta. Isso acabou se realizando e hoje a inflação roda em torno de 5,5%, 6%. No ano que vem será mais baixa porque a gente vai colocando na conta que a desaceleração da economia e o câmbio, agora mais estável, ainda que em patamar mais alto, vão contribuir para que a inflação de 2026 não seja tão pressionada quanto a de 2025.
Megale: Com a Selic contemplada no Focus, de 15%, a inflação fica acima da meta. Se a inflação fica acima da meta com 15%, o Copom não deveria sinalizar que vai parar com 14,25%. Ficaria estranho. Então eu acho que ele vai, de alguma forma, dizer o que vai fazer sem se comprometer com o ritmo já que tem muitas incertezas.
Megale: É muito difícil que o Copom diga o que vai fazer na reunião de maio e muito menos qual vai ser o ponto final da Selic. Eu acho que vai continuar dizendo que o tamanho do ciclo vai depender do firme propósito de trazer a inflação para a meta. Mas se o BC está com o firme propósito de trazer a inflação para a meta e as projeções dele sugerem que com 15% de Selic a inflação não vai para a meta, é estranho também ele dizer que “olha, fizemos essa e para frente pode ser qualquer coisa”. Ele vai continuar dizendo que pelo menos mais algum ‘ajustezinho’ vai haver depois desse ajuste da semana que vem.
Megale: Temos 15,5%, na linha de que, se 15% [juro projetado na Focus] não faz o trabalho, de acordo com as projeções [de inflação no cenário de referência] do BC, talvez tenham que ir um pouquinho além.
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