Economia & Mercados
13/05/2021 11:05

Banrisul/Coutinho: Após queda, margem líquida em crédito deve se manter em 13% ou crescer


Por Marcelo Mota

São Paulo, 13/05/2021 - O aperto de margens na concessão de crédito e, consequentemente, na rentabilidade, pode ter chegado a um limite após a crise enfrentada por conta da pandemia, na visão do presidente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), Claudio Coutinho. Ao reportar os resultados do banco no primeiro trimestre deste ano, o executivo se disse otimista a expansão do crédito nos próximos meses, a depender do compasso da imunização da covid-19.

"A vacinação é o indicador", disse Coutinho durante teleconferência com jornalistas. Mesmo após ser surpreendido pelos efeitos da segunda onda da pandemia, no início do ano, ele mantém a previsão do banco para a expansão da carteira em 2021, entre 11% e 15%. Nos primeiros três meses deste ano, o saldo recuou 2%, para R$ 36,852 bilhões.

Dois segmentos podem liderar a expansão da carteira nos próximos trimestres. No crédito consignado, o Banrisul está oferecendo 120 dias de carência, além da extensão do limite 'consignável' a 35% da renda mensal do tomador do empréstimo, seguindo a flexibilização nas regras da modalidade. O consignado já foi destaque no primeiro trimestre, com quase metade da carteira total e expansão de 5,4% em um ano. Coutinho espera que a flexibilização estimule novas contratações.

Com o banco se retirando dos segmentos de grandes empresas, ele também espera um compasso mais acelerado de pequenas e médias empresas. "Estamos sendo mais condescendentes na concessão de crédito", disse o presidente do Banrisul, após período pautado pela cautela.

A inadimplência se mantém sob controle, na visão de Coutinho, em 2,4%, no primeiro trimestre. E a margem líquida com clientes, em 13% neste início de ano, pode voltar a subir, empurrada pela retomada do ciclo de elevação da taxa básica, a Selic, mas também pela ampliação de operações com a clientela, que já realiza 77% das transações por meio de canais digitais.

"Nesse último ano teve aumento da competição e queda das margens. A gente acredita que já chegou a um nível que daqui para a frente vai se manter, ou aumentar um pouco", disse Coutinho.

As receitas não financeiras caíram 8,2% ante o último trimestre de 2020, refletindo em boa parte a baixa provocada pelo Pix, ferramenta de pagamentos e transferências instantâneos lançada pelo Banco Central na virada do ano. Em março deste ano, o giro financeiro que trafegou por meio da ferramenta foi de R$ 3,84 bilhões, quase 70% dos quais oriundos de transações entre pessoas físicas, que não pagam pelo Pix. Aos poucos, porém, essa conta deve se equilibrar, segundo Coutinho, devido à economia que a redução das transações com papel moeda representa.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) ficou em 13,2%, ligeiramente acima do registrado um ano antes. No entanto, segundo Coutinho, expurgado o impacto de R$ 77 milhões de provisões para ações coletivas trabalhistas apuradas no primeiro trimestre deste ano, a rentabilidade beira os 16%, se equiparando ao ROAE registrado nos últimos três meses de 2020, de 15,8%.

Contato: marcelo.fernandes@estadao.com
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