Economia & Mercados
31/07/2020 09:53

Presidente da Engie diz que com excesso de oferta, não faz sentido leilão de energia nova


Por Wellington Bahnemann

São Paulo, 30/07/2020 - Maior geradora privada do setor elétrico brasileiro, a Engie Brasil defende que novos leilões de energia nova só sejam realizados quando não houver mais excedente de oferta. Projeções elaboradas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam uma sobreoferta de 5 mil MW médios até 2024, em razão dos impactos da covid-19 na economia brasileira.

"Como gerador, espero que não se tenha leilão até que se tenha uma visibilidade razoável de quando esse excesso de oferta será consumido. Se o governo acha que o excesso vai continuar para os próximos três ou quatro anos, por que fazer um leilão agora? Não faz sentido", argumentou presidente da empresa, Eduardo Sattamini, em entrevista ao Broadcast. Por conta das incertezas provocadas pela pandemia, o Ministério de Minas e Energia (MME) cancelou os leilões de energia nova de 2020. No entanto, há uma discussão sobre realizar um leilão para se contratar térmicas a gás para substituir as usinas a óleo combustível (mais caras) cujos contratos com as distribuidoras se encerram até 2023.

Para o executivo, antes de retomar a agenda de leilões de expansão, é preciso verificar o comportamento da economia este ano. "Vamos avaliar no início do ano que vem se a economia está mostrando potencial de crescimento e se faz sentido realizar um leilão A-5", afirmou o executivo. "Como a fonte eólica pode ser construída entre dois ou três anos, para que realizar leilão A-5 com tamanha incerteza no ambiente desse?", disse Sattamini, que também não se mostrou a favor do leilão para as térmicas a gás natural.

O executivo reconheceu que o setor elétrico, por ser um segmento estável e com um marco regulatório robusto, pode ser usado como um dos indutores da retomada do crescimento por meio da realização de investimentos em novos projetos."O receio que temos é que ocorra um incentivo para que se tenha obras para o desenvolvimento econômico. Mas aí acho que o governo possa focar em áreas que a carência por infraestrutura seja premente, tais como rodovias e saneamento", argumentou o executivo.

O receio da companhia é de que a realização dos leilões possa agravar a sobreoferta, deprimindo ainda mais os preços da energia, hoje já em baixa por conta dos impactos da pandemia do novo coronavírus sobre a demanda do mercado. "Quando se faz um leilão em um momento de excesso de oferta, você reduz os preços de forma artificial, porque está colocando uma oferta desnecessária, e impõe uma perda para aqueles que investiram e que estão atuando no mercado livre", disse Sattamini.

Neste sentido, a Engie vislumbra mais oportunidades de crescimento no curto prazo no segmento de transmissão, que tem, inclusive, um leilão previsto para ocorrer ao final do ano. "Há gargalos (na transmissão), e o leilão vem atender as necessidades que são represadas. Estas licitações fazem sentido. Agora, leilão de energia, leilão de térmica a gás, não vemos a necessidade no momento. Podemos pensar nisso ano que vem, em como fazer e se tem necessidade disso", comentou o presidente da Engie.

Contato: wellington.bahnemann@estadao.comM
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