Economia & Mercados
14/03/2022 11:41

Ipea: Pobres têm perda de renda maior que ricos; 22,22% dos lares não tinham renda do trabalho


Por Daniela Amorim

Rio, 14/03/2022 - As famílias mais pobres tiveram uma perda de renda mais acentuada no último ano do que as mais ricas. Além disso, o País chegou ao fim de 2021 com 22,22% dos lares sem receber qualquer tipo de rendimento proveniente do trabalho. Houve melhora em relação aos trimestres anteriores, mas o resultado ainda não retornou ao patamar pré-pandemia, de 2019, quando cerca de 21,5% das residências brasileiras não tinham renda. Os achados são de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) tendo como base os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No primeiro trimestre de 2020, a proporção de famílias sem renda era de 22,35%, subindo a um pico de 28,55% no segundo trimestre daquele ano, sob o choque provocado pela covid-19 no País. Houve redução gradual nos trimestres seguintes, até descer de 22,99% no terceiro trimestre de 2021 para 22,22% no quarto trimestre.

Ao mesmo tempo, houve uma perda maior na renda das famílias mais pobres do que entre as mais ricas no quarto trimestre de 2021. Entre as famílias que recebiam menos de R$ 1.650,50 mensais, a renda média habitual do trabalho encolheu 3,16% em relação ao mesmo período do ano anterior. No grupo com renda familiar mensal entre R$ 1650.50 e R$ 2.471,09, a queda na renda foi de 2,23% em um ano, enquanto que na faixa mais rica, com renda mensal acima de R$ 16.509,66, a redução foi de 1,27%.

A renda média habitual real de R$ 2.447 no quarto trimestre de 2021 foi a menor registrada na série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2021 pelo IBGE. Sob a ótica do tipo de vínculo dos trabalhadores, o Ipea aponta que a maior perda ocorreu para os trabalhadores do setor público, com redução de 10,5% na renda habitual em relação ao quarto trimestre do ano anterior.

"No entanto, os empregados do setor privado (com carteira ou sem carteira) também apresentaram forte queda nos rendimentos, indicando que, com o nível de ociosidade da força de trabalho ainda elevado e a inflação mais alta, os empregados encontraram dificuldade em negociar reposições salariais ao longo de 2021, apesar da recuperação do crescimento observada no ano", escreveu Sandro Sacchet de Carvalho, técnico de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea, na Carta de Conjuntura publicada nesta segunda-feira, 14.

Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegaram ao quarto trimestre de 2021 recebendo, em média, 8,3% a menos do que ganhavam um ano antes, enquanto a perda para os trabalhadores sem carteira assinada no setor privado foi de 9,4%.

"Os dados do próximo trimestre irão mostrar se o recrudescimento da pandemia causado pela variante Ômicron causaram algum impacto nos rendimentos e nas horas trabalhadas", lembrou Sacchet, no estudo.

O IBGE divulga na próxima sexta-feira, 18, os dados da Pnad Contínua referentes ao trimestre terminado em janeiro de 2022.

Contato: daniela.amorim@estadao.com
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