Economia & Mercados
11/01/2019 08:40

Valor do balcão da Caixa Seguridade deve pesar em definição de preço do IPO


São Paulo, 11/01/2019 - O valor de mercado da Caixa Seguridade em sua abertura de capital vai depender, essencialmente, do desfecho da reestruturação do seu braço de seguros e o quanto a companhia conseguirá arrecadar com a venda de participações no seu negócio de seguros. A cifra pode variar entre R$ 17 bilhões e R$ 30 bilhões na segunda tentativa que o banco público faz de listar sua seguradora na bolsa brasileira, conforme cálculos de especialistas consultados pelo Broadcast.

O intervalo estimado supera a avaliação obtida pela companhia em 2015, quando testou o mercado pela primeira vez. Na época, a Caixa Seguridade, lembram fontes, tentava ser avaliada em mais de R$ 20 bilhões em sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). O mercado, contudo, não atendeu suas expectativas e precificou as ações bem abaixo desse patamar. Pesava a renegociação do contrato com a sócia francesa CNP Assurances, o que impediu que o IPO fosse adiante.

Novamente, as possíveis parcerias da Caixa Seguridade com outras seguradoras são tidas como fundamentais para o sucesso da abertura de capital da holding. Enquanto de um lado parte do mercado aguarda ansioso a conclusão das negociações em andamento, do outro há quem aposte na carreira solo da companhia como uma forma de agregar maior valor à operação. Esse seria, inclusive, um dos desafios da gestão de Pedro Guimarães, novo presidente da Caixa Econômica Federal, para tirar o IPO do braço de seguros do papel.

"Se a Caixa Seguridade formar parceria com outras seguradoras, metade do seu fluxo de caixa fica com o parceiro privado. Nesse cenário, o valor da Caixa Seguridade cai muito", diz a fonte, na condição de anonimato. "Isso pode fazer com que eles sigam na direção de não ter parceiros", acrescenta.

A razão, explica, é simples. Os produtos de seguros ofertados pela Caixa são os tradicionais de "bancassurance", ou seja, vendidos em canais bancários, tais como seguro de automóvel, de vida, o habitacional - associado ao crédito imobiliário, do qual o banco público é líder com 69,5% de mercado. Como exemplo, outro especialista do mercado cita a própria BB Seguridade, que numa direção contrária, diminuiu a quantidade de parceiros que possuía em seguros. Recentemente, inclusive, restringiu ainda mais a sociedade que detém com a espanhola Mapfre.

Na mesa, a Caixa Seguridade tem algumas parcerias no radar. A companhia já fechou com a francesa CNP um novo contrato nas áreas de seguro de vida, previdência privada e prestamista, pelo qual acordou em receber R$ 4,65 bilhões. O negócio, contudo, foi paralisado prestes a ser enviado o pedido de autorização aos órgãos reguladores responsáveis sob orientação da nova gestão da Caixa, conforme antecipou a Coluna do Broadcast, no ano passado.

Em entrevista à imprensa após tomar posse do comando da instituição, Pedro Guimarães, disse que o banco ia rever todas as parcerias em um movimento classificado como "óbvio" por ele. "Acabei de entrar. Toda operação que tiver sido negociada antes será revista. Operação muito grande como a da Caixa Seguridade será revista assim como serão revistas todas as operações e empresas que são controladas pela CaixaPar. Nós faremos avaliação em cada empresa. Isso é óbvio", disse ele, na ocasião.



Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

A decisão de Guimarães preocupa os franceses que temem mudanças no acordo já fechado, segundo fontes. Por ora, afirmam as mesmas fontes, nenhum contato ainda foi feito e a orientação segue sendo para segurar o envio de pedido de aval aos reguladores.

Além da parceria com a CNP, a Caixa Seguridade renegocia a sociedade em capitalização que possui com as seguradoras SulAmérica e Icatu e ainda tem em andamento a seleção de novos sócios para os segmentos de seguro habitacional e consórcio, além de outro em automóvel, rural, residencial e patrimonial. O processo foi iniciado em outubro de 2017, sob a assessoria dos bancos Credit Suisse e Banco do Brasil. Em uma das etapas, a Caixa Seguridade teria recebido, conforme informou o Broadcast na época, proposta de cerca de 20 interessados.

Tamanho
Se conseguir emplacar seu valor de mercado no intervalo calculado pelos analistas, de R$ 17 bilhões a R$ 21 bilhões, a Caixa Seguridade pode levantar entre R$ 4,5 bilhões e R$ 10,5 bilhões em sua listagem na bolsa, de acordo com cálculos do diretor de renda variável da Eleven Financial, Carlos Daltozo. O intervalo considera, conforme ele, uma venda de fatia de 25% a 50% das ações.

Suas projeções estão baseadas, segundo o especialista, em um crescimento de lucro líquido de 11,5% e 12% no ano passado e de 9% em 2019. Além disso, ele também leva em conta os múltiplos da BB Seguridade, holding de seguros do Banco do Brasil.

Uma fonte acrescenta, contudo, que a Caixa Seguridade pode ser precificada pela soma das sociedades e não por múltiplos da companhia. Com base nesta visão, o valor de mercado da holding seria resultado do valor correspondente das parcerias, acrescido do resultado da sua corretora própria e da próxima renovação dos contratos, daqui a 20 anos. Por este ângulo, o valor de mercado da Caixa Seguridade poderia chegar a R$ 30 bilhões.



Foto: Aline Bronzati/Estadão Conteúdo

Daltozo pondera, contudo, desafios em termos de governança e histórico de atuação da companhia. Isso porque a BB Seguridade, utilizada como referência pela Caixa, já tinha a composição apresentada no IPO há uns três anos. "A escolha do novo CEO da Caixa Seguridade é benéfica uma vez que é um executivo de mercado, sinalizando pouca ingerência política, mas a falta de histórico no mercado de capitais e a questão da governança pesam", diz Daltozo, em entrevista ao Broadcast.

O executivo se refere à indicação do nome de Marco Barros, atual presidente da Brasilprev, para presidir a Caixa Seguridade e seu IPO na nova gestão do banco público, conforme antecipou mais cedo a Coluna do Broadcast. Ele foi diretor de Seguros, Previdência e Capitalização do Banco do Brasil durante a reorganização societária da área e ainda comandou a diretoria de Mercado de capitais da instituição na época do bilionário IPO da BB Seguridade. Seu nome ainda não foi oficializado.

Procurada, a seguradora da Caixa não comentou. (Aline Bronzati - aline.bronzati@estadao.com)
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