Política
15/05/2018 22:19

Temer fez balanço do governo em cerimônia esvaziada


Brasília, 15/05/2018 - O presidente Michel Temer comandou a cerimônia-reunião de balanço de dois anos de sua administração à frente do Planalto como protagonista principal, fazendo um longo discurso de uma hora de duração, falando de cada feito de seu governo e apresentando manchetes de jornais e sites jornalísticos de todo o País, em um telão atrás dele, para tentar comprovar suas falas.

A solenidade, no entanto, foi esvaziada e sequer contou com a presença dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Eunício Oliveira (MBD). Cerca de 140 pessoas estavam presentes, entre eles ministros e ex-ministros, presidentes de estatais incluindo o outro candidato ao Planalto do MDB, Henrique Meirelles.

Durante a uma hora de discurso de Temer na reunião ministerial ampliada, que contou com presença também de líderes partidários, o presidente foi aplaudido três vezes, todos sem nenhum grande entusiasmo dos presentes. A primeira quando falou sobre a entrega de 100 mil títulos da reforma agrária em todo o País, depois quando elogiou a gestão na Caixa Econômica Federal, que informou que "teve o maior lucro em 157 anos de história" e, por último, quando comemorou a ação da Advocacia Geral da União, conseguiu fechar o acordo entre bancos e poupadores referentes aos planos econômicos dos anos 80 e 90. O quarto e último aplauso veio ao final de sua fala.

O presidente fez questão de citar praticamente todos os presentes para prestigiá-los e leu o discurso nos dois teleprompters instalados à sua frente. O discurso ia encadeando um assunto no outro, tentando fazer links e até um certo gracejo. "Tiramos o Brasil do vermelho", disse ele em um determinando momento, quando citava o que chamou de bons resultados da economia. Pediu "paciência" pela extensão da fala e justificou que "a conversa era longa porque a história é boa".. Discorreu também sobre as obras do São Francisco, emendando que "depois de falar do velho Chico", ia passar a tratar das "jovens gerações"a todos e voltou a pedir que quem está desempregado "não perca as esperanças".

Temer concluiu salientando que "não era comemoração", mas um "encontro de prestação de contas" porque ainda "tem muito para fazer" e "poderemos fazer pelo menos mais um terço do que fizemos até agora, nestes dois anos", nos sete meses de governo. O presidente levantou a voz quando se queixou da oposição, que "opõe-se por opor-se" e pediu que, após o momento político-eleitoral, virá o momento político administrativo e "todos devem unir-se em busca do bem comum".

As crises políticas enfrentadas nestes dois anos de governo, e as votações tentando afastá-lo do Planalto, não entraram no discurso de Temer, que disse que "parte do povo sabe que o Brasil não pode mudar de rumo" e pregou que não é possível ter "brasileiro contra brasileiro". Ao final, Temer estava satisfeito, de acordo com um dos seus interlocutores, convencido de que "deu tudo certo" , ignorando, no entanto, o problema do dia anterior, quando foram emitidos convites que tiveram de ser suspensos porque traziam como slogan "O Brasil voltou, 20 anos em 2", que poderia dar margem a dupla interpretação, com a retirada da vírgula, sugerindo que o Brasil retrocedeu 20 anos nos seus dois anos de governo. Os novos convites voltaram a ter os dizeres dos primeiros exemplares: "Maio de 2016/Maio 2018- O Brasil Voltou". (Tânia Monteiro)
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